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Avaliação: Ram Dakota Laramie vale os R$ 30 mil a mais que a Fiat Titano Ranch?

Avaliação: Ram Dakota Laramie vale os R$ 30 mil a mais que a Fiat Titano Ranch?

Testamos a Dakota Laramie, versão mais sofisticada da picape do carneiro, que conta a seu favor com mais tecnologia, refinamento e lastro da marca

A Ram Dakota Laramie chegou ao mercado brasileiro com uma missão clara: ocupar um espaço mais sofisticado dentro do segmento de picapes médias. O problema é que ela compartilha praticamente tudo com a Fiat Titano. Ambas utilizam a mesma plataforma, carroceria, conjunto mecânico e até mesmo boa parte dos equipamentos. A pergunta que fica é simples: a RAM justifica a diferença de quase R$ 33 mil cobrada em relação à versão topo de linha da irmã italiana?

A Titano Ranch, versão mais sofisticada da derivação italiana, tem preço sugerido inicial de R$ 290.490. Já a Dakota Laramie inicia em R$ 322.990. Se o consumidor optar pela opção Night Edition, o preço sobe para R$ 330 mil.  E se Titano e Dakota são tão similares, o que justifica pagar mais caro? É o que vamos descobrir.

Visualmente, a Dakota aposta na identidade da marca norte-americana para se diferenciar. A tradicional grade com o emblema do carneiro, detalhes exclusivos de acabamento e uma cabine mais refinada ajudam a construir uma percepção de produto premium. Porém, a essência permanece a mesma.

As principais diferenças estão no acabamento interno e no pacote tecnológico. A Dakota Laramie recebeu painel exclusivo, central multimídia maior, revestimentos em couro com tonalidade marrom e uma lista de equipamentos mais completa.

Entre os destaques está a câmera 540 graus. O sistema não apenas oferece visão panorâmica ao redor do veículo, mas também cria uma projeção virtual do solo sob a picape quando ela está em movimento. O recurso é especialmente útil em trilhas e percursos off-road, permitindo visualizar pedras, valetas e obstáculos ocultos pelo capô elevado.

A picape também oferece carregador de celular por indução, ar-condicionado digital de duas zonas, monitoramento de tráfego cruzado traseiro e um pacote de assistências à condução mais completo do que o disponível na Titano. A Dakota oferece monitor de tráfego cruzado em ré, que é um item indispensável para uma picape, pois evita o risco de acidentes em manobras com saídas de garagens ou vagas de estacionamento.

Sob o capô, a Dakota utiliza o mesmo motor 2.2 turbodiesel de quatro cilindros que equipa a Titano. São 200 cv de potência e 46 kgfm de torque, associados ao câmbio automático de oito marchas e à tração 4×4 com seletor eletrônico.

Na prática, trata-se de um conjunto eficiente para o porte do veículo. Há força abundante para ultrapassagens, retomadas e utilização fora de estrada. O desempenho, porém, deve ser analisado dentro da proposta de uma picape média com mais de duas toneladas.

Como qualquer outra picape média, não é um veículo que transmite a agilidade de um automóvel de passeio. As arrancadas são mais lentas, as frenagens exigem maior antecipação e as mudanças de direção precisam respeitar o elevado centro de gravidade.

Depois de percorrer mais de 1.000 km pelo Pantanal sul-mato-grossense, onde a Dakota se mostrou totalmente à vontade, foi a hora de conferir o uso urbano, onde boa parte dos compradores irão rodar a maior parte do tempo. Assim, se no campo e na estrada a Dakota demonstra robustez e competência, o ambiente urbano evidencia as limitações típicas das picapes médias.

O tamanho avantajado dificulta manobras, estacionamento e circulação em vias estreitas. A largura elevada exige atenção constante em corredores compartilhados com motociclistas, enquanto o peso compromete parte da agilidade necessária no trânsito das grandes cidades.

Por outro lado, os recursos eletrônicos ajudam a minimizar essas dificuldades. Sensores, câmeras e assistentes de condução tornam o uso diário menos estressante, especialmente para quem utiliza a picape como veículo familiar.

A suspensão também merece destaque. Após as atualizações promovidas pela Stellantis, o conjunto ficou mais confortável que nas primeiras unidades da Titano (quando era feita no Uruguai). Ainda assim, permanece o comportamento típico de uma picape equipada com feixe de molas traseiro, transmitindo oscilações e impactos que não aparecem em SUVs ou automóveis de passeio.

O maior desafio da Dakota talvez não esteja nas “disputas familiares”, mas sim entre as concorrentes tradicionais do segmento.

Com preço próximo dos R$ 323 mil, a picape entra diretamente na faixa de versões intermediárias da Toyota Hilux e da Ford Ranger. Em alguns casos, o valor se aproxima até mesmo de versões equipadas com motores mais potentes, como a Ranger V6.

A Hilux mantém a reputação de robustez construída ao longo de décadas. Já a Ranger é amplamente considerada uma das referências em tecnologia, dirigibilidade e desempenho entre as picapes médias vendidas no Brasil. Diante desse cenário, a Dakota aposta principalmente no prestígio que a marca Ram construiu por aqui..

A resposta depende da importância que o comprador atribui à marca e ao acabamento mais refinado.

Como produto, a Dakota entrega conforto, tecnologia, capacidade off-road e um conjunto mecânico competente. Porém, a proximidade técnica com a Fiat Titano torna inevitável o questionamento sobre o custo-benefício da diferença de preço.

Para quem deseja o emblema Ram na garagem, os materiais mais sofisticados e alguns equipamentos exclusivos, a Dakota pode fazer sentido. Já quem busca racionalidade na compra provavelmente encontrará na Titano uma proposta semelhante por menos dinheiro ou poderá considerar alternativas consagradas como Hilux e Ranger.

No fim das contas, a Dakota é uma excelente picape. A questão é saber se o prestígio do carneiro na grade vale os milhares de reais cobrados a mais.

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Marcelo Ramos, o Jabulas, é formado em jornalismo e louco por carros e videogames. Atua no setor automotivo desde 2002, com passagem em diversas publicações e já cobriu lançamentos e salões dentro e fora do Brasil.

Fonte original AutoPapo
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