China entrega o primeiro caminhão de mineração movido a bateria de sódio
Bateria de sódio perde menos carga no frio que a de lítio e já entrou em operação em uma mina chinesa; entenda por que ainda não chegou aos carros
O caminhão de mineração Tlye TLE120 é o primeiro do mundo movido a baterias de íons de sódio, desenvolvido em parceria pela Hina Battery e Tonly Heavy Industry (Foto: Hina Battery | Divulgação) Por João Paulo Profetasob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/08/2026 às 07h00
Atualizado em 06/08/2026 às 07h19 Seja o primeiro a comentar. Resumir com: ChatGPT Google AI Mode Claude Perplexity Grok
O primeiro caminhão de mineração 100% elétrico movido a baterias de íons de sódio do mundo começou a operar na mina da Sanyou, em Tangshan, no norte da China. A entrega foi anunciada nesta semana pela HiNa Battery, que desenvolveu o veículo em parceria com a Tonly Heavy Industry a partir da plataforma de caminhões fora de estrada TLE120.
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas! Incluir como fonte preferida no Google + Seguir AutoPapo no Google DiscoverO conjunto usa o sistema de baterias de íons de sódio da série Haixing, com capacidade total de 676 kWh e densidade energética superior a 165 Wh/kg nas células — números pensados para o transporte de carga pesada em trajetos curtos, a rotina típica de uma mina. Segundo a HiNa, a recarga de 0% a 100% leva de 20 a 25 minutos, e a bateria suporta mais de 8.000 ciclos mesmo sob uso frequente de carga rápida, vida útil próxima à do próprio caminhão.
Foto: Tonly | DivulgaçãoPor que sódio no lugar do lítio
As células de sódio operam bem em uma faixa térmica ampla e perdem menos capacidade no frio do que as de lítio, o que ataca a queda de autonomia em minas a céu aberto durante o inverno rigoroso do norte chinês. Diante dos caminhões a diesel, ainda maioria absoluta no setor, a versão elétrica elimina as emissões pelo escapamento e reduz o ruído.
O argumento tem lastro em testes recentes. Em junho, a FAW Jiefang concluiu a validação em estrada de um cavalo-mecânico J6P elétrico equipado com bateria de sódio de 339 kWh, também fornecida pela HiNa. Foram mais de 15 mil km em quase sete meses, com retenção superior a 90% da capacidade útil a 40 graus negativos, segundo a montadora.
Densidade e custo ainda pesam contra
A tecnologia, porém, continua atrás do lítio nos dois indicadores que mais importam para o carro de passeio. O mesmo TLE120 lançado no ano passado com bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) tinha 801 kWh, 125 kWh a mais que a variante a sódio, conforme o site oficial da Tonly. É a principal razão pela qual a química de sódio ainda não chegou aos automóveis em escala.
O custo é o outro entrave. A HiNa calcula que a célula de sódio sai hoje entre 0,5 e 0,7 yuan por Wh, contra 0,3 a 0,5 yuan por Wh da célula de lítio. Li Shujun, CEO da empresa, projeta que os valores se aproximem entre 2027 e 2028, quando a célula de sódio deve cair para cerca de 0,3 yuan por Wh.
Na mina, o caminhão vai gerar dados de desempenho sob carga pesada que devem orientar as próximas versões do projeto. A Tonly também já oferece um sistema de troca de baterias para caminhões de mineração.
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