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Por que o carro elétrico é inevitável? (ou o ‘triste fim da máquina de fazer calor’)

Por que o carro elétrico é inevitável? (ou o ‘triste fim da máquina de fazer calor’)

Por que o carro elétrico é inevitável? (ou o ‘triste fim da máquina de fazer calor’)

Mesmo para quem ama o ronco dos motores V6, a física é implacável: a impressionante eficiência dos elétricos veio para vencer o passado

Motor a combustão já deveria virar peça de museu (Ilustração: Eduardo Passos | AutoPapo) Por Boris Feldman
Publicado em 18/07/2026 às 09h00 9 Comentários Resumir com: ChatGPT Google AI Mode Claude Perplexity Grok

Antes de mais nada, uma confissão: meu carro de uso diário tem um V6 sob o capô, pois sempre fui e continuo pessoalmente apaixonado por um bloco em “V” aspirado, cheio de torque em qualquer rotação e com aquele som gostoso vindo de dois canos traseiros alimentados por seis (oito ou doze) canecos.

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Mas, paixão à parte, o carro elétrico já superou a fase de tendência ou moda. Os eletrificados estão cada vez mais sedutores. Custam menos por km rodado. Têm manutenção mais em conta, emissões reduzidas, rodar silencioso e torque fenomenal. Bateria cada vez mais leve e oferecendo maior alcance — e custando cada vez menos (graças aos chineses).

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Ainda há quem defenda a permanência do motor a combustão nos esportivos premium. Um mercado mais exigente, que não se curva diante de novidades disruptivas e insiste na tecnologia tradicional. Deveria ser mantido em modelos futuros de marcas icônicas como Ferrari, Porsche ou Aston Martin? Talvez.

Mas, se a exigência é desempenho, o elétrico não deixa a desejar, pois oferece o mesmo (ou melhor) torque que o tradicional a combustão. Muito embora a performance não se limite à potência do motor (que já ultrapassou os 1.000 cv em alguns elétricos!): suspensão, direção e freios também contam. Mas, no frigir dos ovos, o culto ao passado tem lugar definido: museus e coleções.

Eficiência é a palavra de ordem!

Entretanto, nenhuma destas considerações — nem os defensores do elétrico — leva em conta o que talvez seja o mais importante fio condutor para definir o elétrico como carro do futuro: a eficiência.

Não vamos sequer nos ater às previsões de se enterrar o combustível fóssil por falta do próprio nas profundezas, o que já foi – falsamente – anunciado inúmeras vezes. O que deve levar a mobilidade veicular a adotar a eletricidade como fonte futura de energia é a sua eficiência.

A rigor, o motor a combustão já deveria estar há algumas décadas no museu, tamanha a sua ineficiência. Ainda atrai – emocionalmente – os entusiastas do automóvel (como eu), mas não faz nenhum sentido uma máquina que perde em atrito e calor de 60% a 70% da energia contida no combustível do tanque e ainda polui o ambiente com emissões. Aliás, por estarem também desenvolvendo carros híbridos, os chineses estão atingindo percentuais de eficiência em motores a gasolina considerados inalcançáveis: BYD com 46% e Dongfeng com 48%.

Há quem diga – ironicamente – que o motor a combustão é uma das melhores máquinas geradoras de calor (…), com suas dezenas de peças atritando entre si.

Enquanto os atuais motores de ciclo Otto ou Diesel transformam em energia mecânica apenas 30% a 40% da energia química que recebem do tanque, o motor elétrico entrega às rodas cerca de 90% a 95% do que recebe.

‘Há quem diga – ironicamente – que o motor a combustão é uma das melhores máquinas geradoras de calor’ (Foto: Shutterstock)

Terceira fase do carro elétrico

Claro que ainda existem obstáculos para o carro elétrico: custo e peso da bateria, sensibilidade às variações de temperatura, pontos de recarga, valor de revenda e outros. Eles estão sendo superados com inesperada velocidade. Afinal, a terceira (e atual) fase do elétrico chegou há pouco mais de dez anos. Mas muitos ignoram que os primeiros rodaram no final do século XIX, antes mesmo dos movidos a gasolina, e só perderam a guerra para o combustível líquido exatamente pelo mesmo motivo que prevalece até hoje: o alcance limitado da bateria.

Aliás, as mulheres – à época – detestaram a chegada do carro a gasolina: não tinham “muque” para dar a partida no motor (com manivela…) e tinham horror ao fedor do escapamento.

O elétrico demorou quase 150 anos para se impor, mas chegou de forma irreversível. Não fosse por outros motivos, por sua insuperável eficiência térmica.

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Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

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Fonte original AutoPapo
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