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5 games de corrida para ficar de olho nos próximos meses

5 games de corrida para ficar de olho nos próximos meses

Lançado há algumas semanas, Forza Horizon 6 é, sem dúvida, o game de corrida mais quente de 2026. Com ele, a Playground Games enfim atendeu aos anseios de boa parte da fanbase ao colocar o jogador para explorar um mapa gigantesco localizado no Japão — e, com ele, trouxe toda a riquíssima cultura automotiva do arquipélago, das provas de drift ao submundo das corridas ilegais nas montanhas.

Um contraponto, porém: a fórmula de mundo aberto talvez esteja começando a saturar. Forza Horizon oferece milhares de quilômetros para explorar, uma variedade enorme de carros para colecionar e diversos modos de competição para te manter ocupado por meses — e, por cima disso, traz uma apresentação estética primorosa, com gráficos absurdamente realistas, interface criativa e uma seleção matadora de canções nas rádios do jogo (em especial no pop/rock japonês, que passa por um período de ressurgência riquíssimo). Fora isso, porém, o título não coloca nada realmente novo na mesa — e tudo certo, porque os jogos de corrida open world são assim mesmo. Sem gimmicks como uma corrida contra um mecha, não há muito mais o que inventar.

E, vale observar, jogos bonitos como Forza Horizon 6 acabam escancarando que a indústria está muito perto do teto quando se trata de gráficos — o salto geracional é bem menor se comparado ao que rolou no começo dos anos 2010, por exemplo. Claro que o Forza mais recente não é só bonito, mas você entendeu meu ponto.

A boa notícia é que, saindo dessa bolha — que, além de Forza Horizon, inclui franquias como The Crew e até os títulos mais recentes de Need for Speed — há muita coisa interessante. Além do backlog gigantesco de títulos lançados nos últimos anos, há uma seleção interessantíssima de jogos de corrida que apostam em outros elementos para chamar a atenção — direção artística inovadora, jogabilidade experimental e história com mais substância, por exemplo.

Se Forza Horizon não faz o seu tipo ou se você já está se preparando para quando tiver feito tudo que há para fazer pela versão digital do Japão, vale ficar de olho nos games a seguir.

Over the Hill

Acho interessante começar essa pequena lista com um game que, para mim, é meio que a antítese de Forza Horizon 6. Over the Hill deixa de lado os gráficos fotorrealistas e a garagem inflada de supercarros modernos para abraçar o oposto: a simplicidade estética e a crueza da pilotagem mecânica. O game te coloca no comando de carros clássicos e desgastados pelo tempo — máquinas dos anos 70 e 80 que visualmente já cruzaram o seu auge (daí o nome) — para enfrentar estradas rurais e passagens de montanha desafiadoras.

Over the Hill está em desenvolvimento pela Funselektor, a mesma desenvolvedora de Art of Rally, um belíssimo arcade que transforma os ralis em uma experiência zen e minimalista, quase artística — e o novo título da empresa tem a mesma abordagem de estilo.

Mas no que diz respeito à jogabilidade crua, diferentemente de Art of Rally — que é um arcade puro —, aqui a física não perdoa erros de transferência de peso e o foco está na manutenção do momentum e na empatia mecânica. Em vez de disputar contra dezenas de oponentes em uma arena caótica, o maior desafio é simplesmente explorar o mapa com seu 4×4 e entender como atravessar os diferentes elementos do cenário — estradas de terra, trilhas de pedra, rios e pântanos. Não há uma história, uma competição ou uma lista gigante de objetivos para avançar. A cada novo terreno conquistado, você ganha pebbles — a moeda do jogo, que você pode usar para comprar peças (suspensão melhor, pneus mais parrudos, snorkel e guincho). Esses itens serão necessários para cumprir as pequenas missões do jogo, como cruzar um trecho específico do ponto A ao ponto B, tirar fotos de animais ou resgatar um carro atolado.

É claro que há uma curva de dificuldade, mas nada punitivo — Over the Hill respeita o seu ritmo e é quase como se o game sentisse sua evolução e ajustasse a dificuldade das trilhas de acordo. De todo modo, avançar nos objetivos não é obrigatório, e a Funselektor até convida o jogador a “se perder” no jogo, atacando do jeito que achar melhor.

Os gráficos apostam em um 3D estilizado — o famoso low-poly — com cores suaves e efeitos de luz muito bem feitos, e a trilha sonora é embalada por canções de folk instrumental com violão, banjo e cordas. É uma experiência quase meditativa sobre a conexão entre homem, máquina e o relevo, embalada por uma direção de arte minimalista que prova que atmosfera e física refinada importam muito mais do que contagem de polígonos. A data de lançamento ainda não foi anunciada, mas o jogo está previsto para sair para PC, PlayStation 5, XBOX e Nintendo Switch 2. A demo já está disponível no Steam.

Clutch

Se a insatisfação com os rumos do mundo aberto automotivo parece preciosismo de jornalista, Clutch é a prova definitiva de que a própria indústria acendeu o sinal de alerta. O título, programado para 2027, está sendo desenvolvido pela Maverick Games — estúdio fundado por Mike Brown (ex-diretor de Forza Horizon 5) e composto por cerca de 140 veteranos que deixaram a Playground Games justamente pela ambição de seguir uma direção completamente oposta à da franquia da Microsoft. A promessa deles? “Ditar o tom da cultura automotiva para a próxima década” por meio de um jogo de corrida genuinamente cinematográfico.

Em vez do Japão intocado de Horizon 6, Clutch nos joga no asfalto litorâneo e claustrofóbico de Mônaco e da Riviera Francesa — expandindo o mapa para incluir os Alpes, as gargantas de Verdon, Cannes e Saint-Tropez. Mas o verdadeiro motor do jogo é a sua história. Escrito por Jamie Brittai, o enredo acompanha os irmãos Theo e Cass Martial em uma jornada dupla: a escalada técnica no prestigiado circuito profissional R1K e a sobrevivência marginal no Midnight Collective, um clube underground de corridas ilegais.

Com uma estrutura de mundo aberto descrita como um ambiente PvPvE repleto de missões artesanais e eventos emergentes, o game foge da superficialidade estética ao adotar a Unreal Engine 5 combinada a um inédito sistema de degradação dinâmica. Isso significa que a personalização obsessiva (que vai do exterior à cabine) não é apenas visual: o desgaste mecânico e os danos à lataria refletem diretamente a agressividade da sua pilotagem. A Maverick Games quer reinventar o gênero de mundo aberto e recuperar a alma que, para eles, esse tipo de jogo perdeu pelo caminho, trocando a ostentação vazia por drama, herança mecânica e história.

Apesar de um pequeno development hell que culminou na saída da Amazon como publisher — o que, querendo ou não, dava credibilidade para o projeto —, a Maverick Games segue firme no cronograma de lançamento, tendo revelado o primeiro trailer do jogo durante Summer Game Fest 2026, que aconteceu no começo de junho.

Hot Wheels: Infinite Rush

A história recente da franquia Hot Wheels nos consoles serve como uma lição clássica de mercado. Em 2021, a italiana Milestone (conhecida por Ride e MotoGP) acertou em cheio com o primeiro Hot Wheels Unleashed, que quebrou recorde atrás de recorde e se tornou o jogo mais vendido da história do estúdio. A sequência direta veio dois anos depois, mas a Mattel resolveu ceder a IP para outros estúdios darem uma volta. O resultado foi, no mínimo, duvidoso: Hot Wheels Monster Trucks: Stunt Mayhem (da 3DClouds, em 2024) teve uma recepção morníssima, e Hot Wheels Let’s Race: Ultimate Speed (da Bamtang Games, lançado no ano passado) pode muito bem ser descrito como dispensável.

Naturalmente, a Mattel voltou correndo para os braços da Milestone. Mas para evitar que a fórmula ficasse saturada após tantas idas e vindas, os italianos decidiram chutar o balde e apostar no óbvio: transformar o jogo em um mundo aberto.

Previsto para 24 de setembro, Infinite Rush marca essa nova direção com uma interessante subversão de perspectiva. Em vez de colocar miniaturas correndo em cenários de escala humana (como uma cozinha ou um quintal, fórmula vista nos anteriores e nas expansões de Forza), o game constrói quatro ilhas estilizadas no formato de dioramas na escala dos próprios carrinhos. É um mundo minúsculo feito sob medida para máquinas minúsculas.

A jogabilidade joga no liquidificador o que há de melhor no espectro arcade: o trânsito nas ruas é denso (uma alfinetada direta no mundo por vezes estéril de Forza Horizon 6), mas serve puramente como obstáculo para ser destruído sem perda de velocidade. Há uma forte inspiração em clássicos inquestionáveis, como Burnout Paradise e Test Drive Unlimited, misturando eventos de destruição desenfreada, desafios de entrega onde você não pode danificar o veículo e a mecânica de alternar entre classes de carros em tempo real. As icônicas pistas laranjas, cheias de loops e saltos, agora se integram à geografia das ilhas, permitindo que você salte de um arranha-céu de plástico direto para o asfalto de uma praia de maquete.

A garagem com mais de 150 modelos traz a estreia da Ferrari na franquia, alinhando da clássica 365 GTB4 Competizione até a moderna híbrida SF90. A dinâmica de pilotagem foi revisada com a divisão dos carros em quatro classes distintas (Versatile, Speeder, Drifter e Titan — categoria que abriga o icônico Mitsubishi Pajero Evolution de rali).

Espremido em uma janela de lançamentos caótica em setembro para fugir do rolo compressor que será GTA VI no ano que vem, Infinite Rush promete ser o playground descompromissado e puramente nostálgico que o gênero precisa.

Night-Runners

O Japão de Forza Horizon 6 é um cartão-postal limpinho, festivo e instagramável. Já o projeto independente Night-Runners (desenvolvido pela PLANET JEM SOFTWARE — assim mesmo, tudo em maiúsculas) é o seu oposto polar. Após o estrondoso sucesso de um prólogo gratuito que conquistou a comunidade em 2024, a empresa conseguiu financiar coletivamente o jogo completo. Na verdade foi um triunfo impressionante, já que eles conseguiram quase o triplo da quantia necessária. De lá para cá, a versão full está sendo gestada para entregar uma interpretação mais crua, sombria e psicologicamente tensa do submundo das corridas ilegais nas rodovias de Tóquio (Shutoko e Wangan) na virada dos anos 90 para os 2000.

O grande trunfo aqui é a atmosfera e a direção de arte. O game adota uma estética imersiva com filtros que simulam fitas VHS antigas, telas de tubo e uma iluminação de neon melancólica que se reflete no asfalto molhado da madrugada japonesa. Longe do glamour dos supercarros modernos, a garagem de Night-Runners é focada exclusivamente nos heróis analógicos daquela era.

A jogabilidade é experimental por focar não apenas na física de alta velocidade, mas no gerenciamento de estresse do piloto e no superaquecimento do motor enquanto você costura o trânsito a 300 km/h. A customização mecânica e estética é quase obsessiva, remetendo à era de ouro de Tokyo Xtreme Racer e dos primeiros Need for Speed Underground, mas com uma roupagem artística e lo-fi que o mainstream jamais ousaria replicar.

Contar com um game bancado pelos fãs, claro, é sempre uma proposta arriscada — para os próprios fãs. Basta lembrar do fiasco de Drift Stage, cujos desenvolvedores simplesmente abandonaram o projeto sem maiores explicações (mesmo que exista uma demo jogável e uma trilha sonora matadora feita pelo guitarrista Myrone). Night-Runners estava previsto para sair em maio de 2025 mas, como é inevitável, alguns atrasos no desenvolvimento empurraram seu lançamento para algum momento entre o segundo semestre de 2026 e o ano que vem. Dito isso, quem contribuiu com a PLANET JEM ganhou acesso à versão alpha no mês passado, então dá para dizer com razoável confiança que Night-Runners tem tudo para ser um dos melhores jogos de corrida da próxima safra.

Crazy Taxi: World Tour

Deixando de lado o experimentalismo indie e caindo de cabeça no mainstream, não tem como não mencionar Crazy Taxi World Tour. O novo título da clássica franquia da Sega, revelado com pompa durante o Summer Game Fest — com direito a um trailer que te acerta com uma dose generosa de nostalgia bem no meio da fuça ao mandar “All I Want” do The Offspring logo nos primeiros segundos — marca o retorno triunfal de uma das propriedades mais queridas, barulhentas e ensolaradas da empresa.

O game resgata do limbo aquela vertente maravilhosa da pilotagem utilitária urbana elevada à décima potência, trocando o preciosismo técnico das pistas e o asfalto impecável pela pressa caótica, pelo tráfego pesado e pela pura contravenção ao volante.

Como o próprio nome sugere, os horizontes se expandem para além de uma única cidade, colocando o jogador mais uma vez na pele de Axel com o intuito de dominar o trânsito de metrópoles complexas, entupidas de carros e geograficamente distintas ao redor do mundo. A física promete manter o DNA totalmente descompromissado que consagrou a franquia nos fliperamas: usar calçadas como pistas expressas, cortar caminho por becos claustrofóbicos, raspar em canteiros centrais e executar saltos absurdos que desafiam a gravidade tornam-se rotina na busca por passageiros e na engrenagem de combos para inflar a gorjeta.

O grande acerto para fisgar os gamers veteranos é a sugestão de um “modo clássico”. Essa opção promete isolar as modernidades e entregar aquela experiência crua dos anos 2000: o cronômetro implacável na tela, a jogabilidade direta e o foco absoluto na velocidade pura e na memorização das rotas mais delinquentes para maximizar os lucros antes que o tempo esgote. Somado a uma roupagem visual vibrante e à promessa de uma trilha sonora focada nas guitarras, Crazy Taxi World Tour surge como o combustível de nostalgia e caos despretensioso que a franquia sempre soube fazer muito bem.

Fonte original FlatOut
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