Brasil recicla menos de 3% dos carros velhos, e Hyundai quer mudar isso com receita coreana
Plano apresentado na USP prevê recuperar materiais de carros em fim de vida útil; a partir de 2027, modelos novos terão de ser 80% recicláveis
Montadora busca parceiros para recuperar materiais de veículos em fim de vida útil e reinseri-los na produção (Foto: Hyundai | Divulgação) Por Júlia Haddadsob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 08/11/2026 às 07h00 Seja o primeiro a comentar. Resumir com: ChatGPT Google AI Mode Claude Perplexity Grok
A Hyundai quer que carros que chegaram ao fim da vida útil no Brasil virem matéria-prima para modelos novos.
A montadora iniciou estudos e procura parceiros para estruturar no país uma cadeia de reciclagem de veículos, que pode reduzir a pegada de carbono da indústria e a dependência de matérias-primas importadas.
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas! Incluir como fonte preferida no Google + Seguir AutoPapo no Google DiscoverO projeto foi apresentado por Fábio Bonilha, gerente sênior de ESG e Inovação da Hyundai para as Américas Central e do Sul, na quinta-feira (5), durante a Conferência de Pesquisa e Inovação em Transição Energética (ETRI), na Universidade de São Paulo (USP).
Brasil recicla menos de 3%
Segundo o executivo, a reciclagem veicular no Brasil é inferior a 3%, ante 30% a 40% nos Estados Unidos.
Enquanto o mercado norte-americano recupera materiais triturando os carros, Japão e Coreia do Sul incentivam a volta dos veículos aos fabricantes.
Na Coreia, a própria Hyundai tem um serviço em que o dono pede pelo site a retirada, a desmontagem e a reciclagem do carro.
Receita coreana
A principal referência é o projeto Car to Car, da Hyundai, que recupera plásticos, aço, alumínio, baterias e motores de carros descartados para usá-los na produção de automóveis novos.
Segundo Bonilha, aplicar o conceito no Brasil depende de parceiros capazes de reciclar em escala industrial, além de sistemas de recuperação de veículos e de rastreabilidade de peças.
A proposta também busca fortalecer o fornecimento local de matérias-primas, reduzindo a exposição da indústria a tensões geopolíticas, barreiras comerciais e problemas no transporte internacional.
O executivo citou ainda o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) como ferramenta para unir exigências ambientais e incentivos à tecnologia.
O programa prevê que, a partir de 2027, carros de passeio novos tenham ao menos 80% de sua massa reciclável ou reutilizável.
Como exemplo, a Hyundai expôs no evento o NEXO, SUV movido a célula de combustível de hidrogênio que usa plásticos reciclados, tecidos feitos de PET reciclado e materiais de origem biológica.
Bonilha também destacou o reaproveitamento de baterias de carros elétricos, que podem ganhar uma segunda vida armazenando energia em sistemas estacionários antes da recuperação de seus minerais.
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